Urbanismo


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O Universo da Solidariedade


Distritos rurais

Diagrama esquemático de um típico distrito rural (região com densidade demográfica de 120 h/km²)

v      A – distrito urbano de 45 mil habitantes e 9 km² encravada no distrito rural

v      B, C e D – distritos urbanos de 20 mil habitantes e 4 km² cada encravados no distrito rural

v      46 – agrovila de 5 mil habitantes, sede do distrito rural

v      1 a 100 (exceto 46) – agroaldeias de 300 habitantes e respectivas áreas de responsabilidade ecológica (12 km² cada).

v      áreas verdes – reservas naturais

v      áreas brancas – distritos urbanos

v      áreas cinzentas – aldeias, incluindo estufas e áreas de lazer

v      área vermelha – grande aldeia quase urbana (vila)

Cada distrito rural é composto de dezenas ou centenas de cooperativas organizadas fisicamente como pequenas aldeias. Uma aldeia rural típica tem mais ou menos 300 habitantes, mas algumas têm menos de 10 moradores e outras até 5 mil.

          

São geralmente compostas de espaçosas casas térreas para uma pessoa ou família e estão cercadas por estufas onde se cultivam vegetais cultivados em uma mistura de água e sais minerais, que se transformam em alimentos ou em fibras naturais usadas em papel, madeira e tecidos. Além disso, também produzem carnes, couros, laticínios e proteínas especiais "cultivadas" em tanques de clonagem (as leis da Humanidade proíbem a criação de animais para abate, mas permitem que células animais sem consciência sejam cultivadas como alimentos). Existem também aldeias marítimas, voltadas para o cultivo de algas e produtos marítimos.

A função dessas cooperativas na sociedade mais ampla é tanto proporcionar alimentos às áreas urbanas e metropolitanas quanto cuidar do meio ambiente a seu redor (com ajuda de computadores e robôs). Algumas pequenas aldeias, porém, produzem apenas o necessário para seu sustento e sua função no conjunto é apenas oferecer a opção de uma vida contemplativa e sossegada.

Muitos distritos rurais são conhecidos por preservar antigas tradições. Montam, geralmente no meio da reserva natural e longe da comunidade tecnológica onde vivem normalmente, aldeias semelhantes às de seus antepassados das eras pré-industriais onde periodicamente revivem antigos costumes para rememorar sua história e para divertir-se.


Reservas naturais

Diagrama esquemático de uma típica reserva natural

(área de responsabilidade ecológica de uma cooperativa rural)

v      1 – reserva natural (11 km², incluindo o lago)

v      2 – pequena cooperativa contemplativa encravada na área (30 pessoas, 10 ha)

v      3 – agroaldeia (300 ha, 10 ha)

v      4, 5, 6 e 7 – fazendas hidropônicas (total 45 ha), capazes de produzir alimento suficiente para 2.200 pessoas

v      8,9,10 e 11 – áreas para lazer e esporte (total 45 ha)

v      12 – lago (45 ha)

 

 

A maioria das cooperativas rurais tem uma reserva natural pela qual se responsabiliza, que pode ter pouco mais de 1 km² (em regiões muito povoadas, como na vizinhança das megalópoles) ou centenas de km² (em regiões mais selvagens, como a Amazônia). Isso significa, por exemplo, controlar a quantidade de viajantes que podem visitá-las, evitar a entrada de pragas ou espécies estranhas à região, controlar espécies que se tornaram excessivamente numerosas, estabelecer zonas para acampamento e esportes e outras fechadas à visitação, salvo com permissão especial.


Distritos urbanos

Diagrama esquemático de um típico distrito urbano

 

v      1 a 9 – cooperativas médias (3 mil a 6 mil membros, 70 a 120 ha cada)

v      10 – área de lazer comunitária (100 ha)

v      11 a 20 – pequenas cooperativas (300 a 600 membros, 10 a 15 ha cada)

 

As cidades de tamanho médio -de cinco mil habitantes a quinhentos mil – são formadas por um ou mais distritos urbanos. Na sua paisagem, são comuns conjuntos residenciais com a forma de pequenos hotéis de três ou quatro andares, com apartamentos espaçosos para umas 30 pessoas, grandes áreas comuns (salões de festas, quadras de esporte, piscina, um pequeno teatro etc.), salas de trabalho e um grande jardim, ocupando mais ou menos um quarteirão. Há também habitações coletivas de maior porte (centenas de pessoas), como também de tamanho familiar ou mesmo individual. A freqüência relativa dos diferentes tipos de moradia atende a características culturais nacionais ou regionais, bem como a preferências de cada cooperativa .

As várias residências e locais de trabalho pertencentes a uma mesma cooperativa tipicamente se reúnem num mesmo bairro, em torno de um centro que geralmente contém pelo menos um parque de tamanho médio e uma sede para reuniões e é de responsabilidade da administração distrital, que também cuida de eventuais monumentos naturais e históricos que existam dentro dos limites do distrito.

As áreas urbanas são conhecidas pela originalidade e qualidade artística de sua arquitetura e paisagismo, em contraste com a imponência monumental dos centros metropolitanos e a beleza selvagem das áreas rurais. Costuma ser forte a concorrência entre as diferentes cooperativas de uma mesma cidade para mostrar as ruas e praças mais belas e não é menor a concorrência entre as cidades de uma mesma região. Quase todas podem orgulhar-se de belos parques e jardins floridos e cuidados com carinho e de ruas e praças decoradas com todo tipo de trabalhos artísticos, geralmente dos próprios habitantes.

                 

Há também cidades construídas sobre o mar, construídas sobre pilotis em águas rasas ou sobre plataformas flutuantes em águas profundas.

São comuns em distritos urbanos as indústrias leves, geralmente instaladas no subsolo e controladas através de robôs que produzem alimentos, vestuário, móveis e outros produtos. Há cidades conhecidas pela qualidade de suas artes plásticas (estátuas, quadros, tapeçarias etc.) e artesanato, por seus serviços pessoais, restaurantes e ateliês de moda, por suas atividades festivas e culturais, pela beleza de sua paisagem, por seus monumentos históricos e artísticos e pela qualidade de suas diversões. Não há, porém, cidades "turísticas" no sentido de terem sua economia especializada em atender e divertir visitantes: todas têm algo a oferecer a viajantes, mas existem em primeiro lugar para seus próprios habitantes. Algumas sentem necessidade de controlar o fluxo de visitantes para que seu ritmo de vida não seja demasiado perturbado por observadores de fora.

Porém, centros com quinhentos mil a dez milhões de habitantes – que podem ser capitais de territórios ou mesmo de regiões – podem cair numa faixa de transição entre cidade e a megalópole, misturando características das duas culturas, que costumam ser chamadas de metrópoles – combinam uma periferia de caráter urbano com um centro de caráter megalopolitano, que pode conter arcologias (ver abaixo) e talvez uma "indústria turística".


Distritos megalopolitanos

Seção típica de megalópole (densidade 3.740 h/km²)

 

v      1 a 10 – arcologias (1 a 2 km², 50 a 100 mil habitantes cada)

v      11 a 13 – distritos de média densidade associados à megalópole (13 km², 50 a 75 mil habitantes cada)

v      14 – distrito de baixa densidade, associado à megalópole, 196 km² incluindo:

Ø       A: área verde (132 km²)

Ø       B: cultivos hidropônicos (58 km², capazes de produzir alimento para 280 mil)

Ø       C: agrovila (6 km², 30 mil habitantes)

As megalópoles propriamente ditas são aglomerados com mais de dez milhões de habitantes, que centralizam grande parte da vida econômica, política e cultural e se estendem por milhares de quilômetros quadrados sem um núcleo claramente identificável. Nem todos os mundos habitados as possuem: geralmente só os relativamente populosos (um bilhões de habitantes ou mais). As sete principais megalópoles da Terra são vistas como as capitais da civilização humana por todo o espaço da Solidariedade.

A paisagem da maioria das áreas megalopolitanas é dominada por imponentes arcologias, gigantescas construções ou conjuntos de construções interligadas, tipicamente com 3 mil a 100 mil moradores em apartamentos confortáveis (com uma média de 200 m² por pessoa), mais locais de reunião e trabalho, lojas, teatros, centros de diversões etc. Cada arcologia tem à sua volta um parque de mais ou menos 1 quilômetro quadrado, que serve para descanso e esporte e abriga na maioria dos casos uma única grande cooperativa, às vezes mais de uma. Seja qual for o caso, cada arcologia tem, na prática, estatuto de distrito para fins de relacionamento com o seu entorno.

As arcologias, apesar de abrigarem a maior parte da população das áreas metropolitanas (geralmente 70% a 80%), não ocupam a maior parte da sua área: geralmente estão cercadas por distritos mais espaçosos e menos densamente habitados, mas que se distinguem facilmente dos que pertencem às áreas urbanas e rurais por seu estilo de vida megalopolitano e por terem uma economia fortemente associada às potencialidades e necessidades da megalópole. Os distritos de média densidade das megalópoles têm como função principal proporcionar lazer e diversões adicionais para os moradores das arcologias neles encravadas e operar indústrias relacionadas à reciclagem.

Os distritos de baixa densidade têm as funções de atender uma parte das necessidades agrícolas das megalópoles (que ainda assim precisam importar a maior parte de suas necessidades de mais longe) e manter parques e áreas semi-selvagens em sua vizinhança.

As especialidades econômicas das áreas megalopolitanas, principalmente das arcologias, não estão geralmente relacionadas com a produção de bens materiais, mas sim à informação: jogos, espetáculos, diversões, programas de computador, pesquisas teóricas, análises históricas, críticas de arte etc., divulgadas através dos meios de comunicação para toda a civilização interestelar. É um povo cosmopolita e muito interessado em outras culturas, menos comprometido com preservar costumes e tradições do que com inventar e desinventar modas. Também é nas megalópoles que mais facilmente podem ser encontradas distritos inteiros voltados para o turismo.

A maioria dos habitantes das megalópoles mantêm suas atividades mais rotineiras na mesma arcologia em que mora, mas, mais do que quaisquer outras comunidades, passam grande parte de seu tempo fora, excursionando ou viajando – inclusive para outros mundos – para aprender, para ensinar, para buscar inspiração para novas produções culturais, ou simplesmente para divertir-se e fazer amigos.